quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

presunçosa, acusei-me

não combina comigo esse ar de auto-suficiência:
tudo parece facinho

firo meu semelhante em sua dor de ser
suor de todo dia
justa caça, pois há fome

perdão, meu Senhor!
em boca fechada não entra mosquito, eu sei
eu sempre soube



vidrei
nuns olhos aí
dançando um bowie
na sala de estar

não pude pensar em nada
aliás
acreditei mais uma vez no meu lugar no céu
eu sentada numa poltrona macia
com os pés num pufe
assistindo ao meu filme
dando risada
suspirando
e só
porque não precisa mais nada

sábado, 2 de janeiro de 2016

a paciência é minha irmã mais velha
e ela me deixou sozinha hoje
de propósito
pra eu assim ficar
comigo apenas
sangrando um pouco

tenho uma sombra nos olhos
um céu nublado
num dia de mormaço
e hesitação

domingo, 23 de agosto de 2015

ei-la em mim
quase inteira
tijolo usado: a sorte

um vestido do dia a dia
que se põe de modo automático
natural como um coque mal feito

cobre-me as pernas
no meio da tarde
enquanto durmo
acidentalmente
a poeira beija-me os lábios
numa secura terna, imutável

não há promessas
            palavras
            diálogo (necessário?)

nenhuma nuvem
uma sujeira nos pés

quarta-feira, 15 de julho de 2015

fora daqui
serei a mesma
sereia sem rabo, sem mar, sem sal
quentando sol
numa pedra qualquer

solidão de sempre
no fundo, no fundo
na superfície mais fina
e dolorida

decidam por mim
tantas coisas
todas superficiais

fico intacta aos olhos
alheios
meio cegos

isto só ocorre em mim
afinal