presunçosa, acusei-me não combina comigo esse ar de auto-suficiência: tudo parece facinho firo meu semelhante em sua dor de ser suor de todo dia justa caça, pois há fome perdão, meu Senhor! em boca fechada não entra mosquito, eu sei eu sempre soube
vidrei nuns olhos aí dançando um bowie na sala de estar não pude pensar em nada aliás acreditei mais uma vez no meu lugar no céu eu sentada numa poltrona macia com os pés num pufe assistindo ao meu filme dando risada suspirando e só porque não precisa mais nada
sábado, 2 de janeiro de 2016
a paciência é minha irmã mais velha
e ela me deixou sozinha hoje
de propósito
pra eu assim ficar
comigo apenas
sangrando um pouco
tenho uma sombra nos olhos
um céu nublado
num dia de mormaço
e hesitação
domingo, 23 de agosto de 2015
ei-la em mim
quase inteira
tijolo usado: a sorte
um vestido do dia a dia
que se põe de modo automático
natural como um coque mal feito
cobre-me as pernas
no meio da tarde
enquanto durmo
acidentalmente
a poeira beija-me os lábios
numa secura terna, imutável
não há promessas
palavras
diálogo (necessário?)
nenhuma nuvem
uma sujeira nos pés
quarta-feira, 15 de julho de 2015
fora daqui serei a mesma sereia sem rabo, sem mar, sem sal quentando sol numa pedra qualquer solidão de sempre no fundo, no fundo na superfície mais fina e dolorida decidam por mim tantas coisas todas superficiais fico intacta aos olhos alheios meio cegos isto só ocorre em mim afinal